Com um pouco de clareza e senso crítico emprestados dos brasilianos, podemos nos aventurar em alguns temas correntes na sociedade brasileira. Para isso, imaginemos uma situação que aparece periodicamente nos noticiários: um representantes das camadas sociais desfavorecidas encontra um enorme quantia em dinheiro e decide devolvê-la, afirmando que aquilo, afinal, não é dele. Instantaneamente apresentadores, repórteres, telespectadores e moralistas batem palmas estrondosas, pois é uma atitude ética e incomum.Apesar disso, todos que parabenizam o cidadão o fazem por valorizar sua ação e julgam que fariam o mesmo diante da situação, já que o apoiam. Diante desse fato, porque então essas ações são as exceções à regra? Porque nós julgamos que a maioria dos brasileiros pegaria o dinheiro pra si se há tantos defensores da nobre ação?
Esse é o "Paradoxo Brasileiro", uma impossibilidade lógica apresentada por Eduardo Giannetti em seu livro "Vícios privados, benefícios públicos? A ética na riqueza das nações." O autor nos apresenta o fato de que o Brasil ser muito diferente da soma das auto-imagens dos brasileiros é devido ao nosso auto-engano, descartando a hipocrisia. Uma afirmação que tem seu brilho aos meus olhos.
Ainda em seu livro, Giannetti nos recorda que desde a 2ª Guerra Mundial a economia tem se afastado da filosofia. Apesar de ser trabalhoso construir provas para esse fato, essa não é uma constatação exclusiva do economista.Muitos outros especialistas das áreas de economia e filosofia parecem compartilhar da ideia.
Esse afastamento dessas duas grandes esferas do conhecimento tem como uma das causas a necessidade de expansão, à qualquer custo, do capitalismo na Guerra Fria e também após a queda do muro de Berlim.
O Plano Marshall norte-americano foi a concretização dessa prioridade de expansão. É natural então que as amarras com a filosofia e a ética fossem afrouxadas para se impedir possíveis barramentos a esse processo, responsável por gradativamente conferir uma importância ímpar ao dinheiro.
Hoje, a influência do dinheiro sobre nós e tamanha que a posse dele dá os maiores poderes enquanto que a falta dele indica submissão. O poder financeiro pode hoje comprar virtudes e conceder o conceito de sucesso a qualquer homem, de qualquer educação, qualquer religião ou etnia. Ele é democrático, pois todos podem atingir o sucesso ao acumulá-lo. Mas ao mesmo tempo é tirano, pois sucesso é indissociável dele.
O tema é tão contemporâneo que a edição 34 da revista "Filosofia" trata inteligentemente do tema o contrapondo às virtudes humanas- veja onde chegamos- no Brasil e no mundo.
Se falamos de dinheiro, falamos de economia. Inevitavelmente, a política econômica predominante tem suas relações com esse culto do dinheiro.No cerne disso temos a política Neoliberal predominante no mundo, ditando essas tendências sociais.
No entanto, o intrigante é que essa mesma política tem sido alvo de críticas por todos os meios de comunicação: televisão, internet, rádio e a mídia impressa. Desde protestos contra a crise ambiental até a violência urbana e todas as consequências do modelo de administração pública conhecido como as "cidades-negócios"¹.O julgamento de casos do mensalão também ganham atenção quando as pessoas de indignam com a má fé dos governantes e sua ganância que corroê os cofres públicos.Apesar disso, o que esquecemos é que o global é a soma do todo.
É no plano coletivo que esbravejamos contra as injustiças brasileiras, originárias sobretudo no super-poderes que o dinheiro exerce e nas consequências do plano econômico vigente mundialmente, mas é no plano individual que nos auto-negamos, nos rendemos à força- enorme, não é mentira- do capital, pois não podemos de deixar de aproveitarmos nossas chances de especularmos, visto que constantemente nos vitimamos pelo sistema, a ponto de que não se aproveitar da situação, não abandonar o discurso pregado em voz alta e em público significa padecer individualmente. Por isso nos auto-negamos.
Aliado a essa força individual que o capital exerce, porque mesmo conhecendo os problemas ao redor e pensando em soluções é tão difícil agir? Tomo emprestadas as palavras de Giannetti:
"Conhecemos mais sobre o mundo físico que nos cerca do que sobre nós mesmos. Na distância que separa o pensar do agir e o falar do fazer existem mais coisas que sonha o nosso débil conhecimento"
Como primeiro Ministro da Ilha do Brasil, afirmo que já adotei medidas para promover o auto-conhecimento no intuito de me esclarecer sobre essas "coisas" que permeiam entre meu falar e fazer e também inicio meu combate às minhas auto-negações, com a visão de que posso lutar para que o Brasil seja um país compatível com a soma de nossas auto-imagens, assim como sonhamos na Ilha do Brazil.
(me desculpem pela repetição do prefixo, mas é para ser bem enfático, mesmo)
Encorajo a todos a fazerem o mesmo pois lembremos: sonhar, na Ilha, é um dever de todos.
¹para entender melhor algumas facetas sociais das "cidades-negócio" no Brasil assista ao vídeo contextualizado no Rio:
http://catarse.me/pt/dominiopublico
Esse é o "Paradoxo Brasileiro", uma impossibilidade lógica apresentada por Eduardo Giannetti em seu livro "Vícios privados, benefícios públicos? A ética na riqueza das nações." O autor nos apresenta o fato de que o Brasil ser muito diferente da soma das auto-imagens dos brasileiros é devido ao nosso auto-engano, descartando a hipocrisia. Uma afirmação que tem seu brilho aos meus olhos.
Ainda em seu livro, Giannetti nos recorda que desde a 2ª Guerra Mundial a economia tem se afastado da filosofia. Apesar de ser trabalhoso construir provas para esse fato, essa não é uma constatação exclusiva do economista.Muitos outros especialistas das áreas de economia e filosofia parecem compartilhar da ideia.
Esse afastamento dessas duas grandes esferas do conhecimento tem como uma das causas a necessidade de expansão, à qualquer custo, do capitalismo na Guerra Fria e também após a queda do muro de Berlim.
O Plano Marshall norte-americano foi a concretização dessa prioridade de expansão. É natural então que as amarras com a filosofia e a ética fossem afrouxadas para se impedir possíveis barramentos a esse processo, responsável por gradativamente conferir uma importância ímpar ao dinheiro.
Hoje, a influência do dinheiro sobre nós e tamanha que a posse dele dá os maiores poderes enquanto que a falta dele indica submissão. O poder financeiro pode hoje comprar virtudes e conceder o conceito de sucesso a qualquer homem, de qualquer educação, qualquer religião ou etnia. Ele é democrático, pois todos podem atingir o sucesso ao acumulá-lo. Mas ao mesmo tempo é tirano, pois sucesso é indissociável dele.
O tema é tão contemporâneo que a edição 34 da revista "Filosofia" trata inteligentemente do tema o contrapondo às virtudes humanas- veja onde chegamos- no Brasil e no mundo.
Se falamos de dinheiro, falamos de economia. Inevitavelmente, a política econômica predominante tem suas relações com esse culto do dinheiro.No cerne disso temos a política Neoliberal predominante no mundo, ditando essas tendências sociais.
No entanto, o intrigante é que essa mesma política tem sido alvo de críticas por todos os meios de comunicação: televisão, internet, rádio e a mídia impressa. Desde protestos contra a crise ambiental até a violência urbana e todas as consequências do modelo de administração pública conhecido como as "cidades-negócios"¹.O julgamento de casos do mensalão também ganham atenção quando as pessoas de indignam com a má fé dos governantes e sua ganância que corroê os cofres públicos.Apesar disso, o que esquecemos é que o global é a soma do todo.
É no plano coletivo que esbravejamos contra as injustiças brasileiras, originárias sobretudo no super-poderes que o dinheiro exerce e nas consequências do plano econômico vigente mundialmente, mas é no plano individual que nos auto-negamos, nos rendemos à força- enorme, não é mentira- do capital, pois não podemos de deixar de aproveitarmos nossas chances de especularmos, visto que constantemente nos vitimamos pelo sistema, a ponto de que não se aproveitar da situação, não abandonar o discurso pregado em voz alta e em público significa padecer individualmente. Por isso nos auto-negamos.
Aliado a essa força individual que o capital exerce, porque mesmo conhecendo os problemas ao redor e pensando em soluções é tão difícil agir? Tomo emprestadas as palavras de Giannetti:
"Conhecemos mais sobre o mundo físico que nos cerca do que sobre nós mesmos. Na distância que separa o pensar do agir e o falar do fazer existem mais coisas que sonha o nosso débil conhecimento"
Como primeiro Ministro da Ilha do Brasil, afirmo que já adotei medidas para promover o auto-conhecimento no intuito de me esclarecer sobre essas "coisas" que permeiam entre meu falar e fazer e também inicio meu combate às minhas auto-negações, com a visão de que posso lutar para que o Brasil seja um país compatível com a soma de nossas auto-imagens, assim como sonhamos na Ilha do Brazil.
(me desculpem pela repetição do prefixo, mas é para ser bem enfático, mesmo)
Encorajo a todos a fazerem o mesmo pois lembremos: sonhar, na Ilha, é um dever de todos.
¹para entender melhor algumas facetas sociais das "cidades-negócio" no Brasil assista ao vídeo contextualizado no Rio:
http://catarse.me/pt/dominiopublico
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