sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Matar uma bola de canhão com um tiro de formiga.



Leitor, leia a breve matéria da Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1204726-usp-unicamp-e-unesp-terao-cotas-por-desempenho.shtml

Pois é, esse assunto de cotas é sempre polêmico.
Tantos planejamentos, tantos estudos, tantas iniciativas, sempre com o intuito de diminuir nossa desigualdade social por meio de iniciativas que, em si, classificam e segregam.
Se o intuito é tornar a luta de igual para igual entre ensino básico público e privado na conquista de vagas no vestibular para escola superiores públicas,toda e qualquer ação que favorece/desfavorece um ou outro será excludente, de uma forma ou de outra. É aí que mora a polêmica.

O ensino médio privado não quer abrir mão de um direito a vaga em vestibulares pela ineficiência do público, e o público argumenta que a sua ineficiência é desagregadora, por isso clama por favorecimento (mais direitos).

Eu realmente não sei avaliar ao certo as medidas das federais ou das estaduais. Se são boas ou ruins, não tenho conhecimento e ferramentas suficientes para avaliar de modo a acrescentar alguma opinião agregadora ao Brasil. Acho que é preciso ser, no mínimo, um expert em sociologia brasileira e educação pra formular uma política pública dessas, caso contrário isso se torna facilmente uma injustiça social, carregada de preconceitos e falácia.

Mas em uma coisa eu acredito: muito se discute em como distribuir os direitos de todo cidadão (direito a disputar uma vaga no ensino superior público)  e pouco se discute o dever do Estado (perceba, não estou falando em governo) em fornecer a educação básica "gratuita".
Aliás, como já diz todo mundo "nada é de graça", e uma única e singela certeza que eu tenho disso tudo é que a educação básica pública no Brasil é caríssima ao brasileiro de qualquer classe social.

Portanto, acredito que essas questões de cotas sempre são destinadas a dar atenção ao problema da educação no Brasil em um foco errado. É como se você quisesse gastar menos abastecendo em postos com combustíveis R$0,10/ litro mais baratos mas seguisse contraindo financiamentos de caros cada vez mais luxuoso ano a ano.

Não critico as ações das universidades em prol das cotas até porque, como disse anteriormente, tenho pouco ou quase nenhum embasamento para diferir golpes ou elogios à essas iniciativas. Critico sim a não presença de temas mais importantes para o problema da educação no Brasil nas discussões nacionais.