sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Matar uma bola de canhão com um tiro de formiga.
Leitor, leia a breve matéria da Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1204726-usp-unicamp-e-unesp-terao-cotas-por-desempenho.shtml
Pois é, esse assunto de cotas é sempre polêmico.
Tantos planejamentos, tantos estudos, tantas iniciativas, sempre com o intuito de diminuir nossa desigualdade social por meio de iniciativas que, em si, classificam e segregam.
Se o intuito é tornar a luta de igual para igual entre ensino básico público e privado na conquista de vagas no vestibular para escola superiores públicas,toda e qualquer ação que favorece/desfavorece um ou outro será excludente, de uma forma ou de outra. É aí que mora a polêmica.
O ensino médio privado não quer abrir mão de um direito a vaga em vestibulares pela ineficiência do público, e o público argumenta que a sua ineficiência é desagregadora, por isso clama por favorecimento (mais direitos).
Eu realmente não sei avaliar ao certo as medidas das federais ou das estaduais. Se são boas ou ruins, não tenho conhecimento e ferramentas suficientes para avaliar de modo a acrescentar alguma opinião agregadora ao Brasil. Acho que é preciso ser, no mínimo, um expert em sociologia brasileira e educação pra formular uma política pública dessas, caso contrário isso se torna facilmente uma injustiça social, carregada de preconceitos e falácia.
Mas em uma coisa eu acredito: muito se discute em como distribuir os direitos de todo cidadão (direito a disputar uma vaga no ensino superior público) e pouco se discute o dever do Estado (perceba, não estou falando em governo) em fornecer a educação básica "gratuita".
Aliás, como já diz todo mundo "nada é de graça", e uma única e singela certeza que eu tenho disso tudo é que a educação básica pública no Brasil é caríssima ao brasileiro de qualquer classe social.
Portanto, acredito que essas questões de cotas sempre são destinadas a dar atenção ao problema da educação no Brasil em um foco errado. É como se você quisesse gastar menos abastecendo em postos com combustíveis R$0,10/ litro mais baratos mas seguisse contraindo financiamentos de caros cada vez mais luxuoso ano a ano.
Não critico as ações das universidades em prol das cotas até porque, como disse anteriormente, tenho pouco ou quase nenhum embasamento para diferir golpes ou elogios à essas iniciativas. Critico sim a não presença de temas mais importantes para o problema da educação no Brasil nas discussões nacionais.
sábado, 24 de novembro de 2012
Crise da Democracia?
Apesar disso, o continente do mundo antigo sofre duras consequências do capitalismo financeiro selvagem.
Desde a criação da Zona do Euro há evidências de que a Europa se apoiava em um regime centralizador de poder com a justificativa de necessidade de resposta rápida e uniforme frente à emergências econômicas e financeiras. O que hoje se nomeia TROIKA - FMI(Fundo monetário Internacional), BCE(Banco Central Europeu) e CE (Comissão Européia)- rege as tomadas de decisões dentro do Bloco Europeu. Frente a crise, as soberanias nacionais- em especial a Grécia. Itália, Espanha e Portugal- combinadas em uma moeda única são deixadas à deriva das decisões oligárquicas da TROIKA. Prova disso foi a ameaça de punição declarada ao primeiro ministro grego George Papandreou quando ele anunciou a intenção de convocar um referendo sobre a adoção de um novo plano de austeridade imposto pela União Européia.Com a defesa de que é necessário uma união dos países para superar a crise, a TROIKA outorga suas vontades e é inflexível quando poderes nacionais questionam suas ordens ou convocam o povo à opinar.
Além disso, quando foram praticamente impostas á Itália de Silvio Berlusconi reformas econômicas e fiscais drásticas, o ministro se viu obrigado a renunciar, sendo substituído por Mario Monti, ex-presidente do European Money and Finance Forum, instituição que partilha das mesmas idéias que o BCE.
A Europa manifesta características de governos autoritários por meio de um conselho decisório superior. A substituição de governantes eleitos democraticamente por tecnocratas aliados ao pensamento elitista, o enfraquecimento do Parlamento Europeu, a anulação de referendos e a interferência gradativa do setor privado em decisões políticas (injeção de dinheiro público nos bancos afetados pela crise) são características que remetem à um governo duro, muito centralizado e forte.
Por essas questões a atual crise da zona do Euro não mais é simbolizada pela união da Europa em contraste dos estados nacionais isolados, mas sim por uma espécie de antagonismo entre a Democracia e o Cesarismo(eliminação das fronteiras da política, burocracia estatal e poder financeiro, no caso)
Por sua vez, nos Estados Unidos encontra-se hoje o troféu que o mundo atribuiu recentemente aos norte-americanos como o "modelo mais democrático de governo e eleição".
Mais uma vez os democratas vencem com Obama mas com um gosto amargo, pois além de ter sido uma vitória acirrada a 4 anos atrás um candidato republicano que fez fortuna no mercado financeiro não teria chances diante da crise instaurada nos EUA.Isso significa que a população aprovou o governo de Barack Obama, mas que as sombras de 4 anos atrás como o baixo crescimento econômico, o elevado desemprego e a insatisfação da população para com o sistema de saúde e educação ainda permeiam o governo, e dessa vez são problemas ainda mais indissolúveis.
Se hoje o governo do primeiro presidente negro nos EUA representa a democracia americana, um possível fracasso administrativo nessa segunda gestão de Barack Obama corre o risco de instigar dúvidas sobre o bom funcionamento da democracia na América do Norte.
Agravando ainda mais a situação, críticos sobre a economia dos EUA afirma que a falta de integração dos diversos setores da economia dificultam a retomada do crescimento, defendendo medidas centralizadoras para promover "maior competitividade" e poder de resposta à economia nacional.
E, como não se poder deixar de questionar, como se pode eleger democrata um país que tem sua política externa tão violenta? Talvez a definição de "governo do povo" aos norte-americanos restringe os direitos democráticos à nação norte-americana, um um inflado espírito nacionalista e imperialista.
Já em nosso país, encontramos semelhanças e diferenças em relação à essa "possível crise da democracia internacional", mas isso não é confortante.Na verdade, a situação é um tanto quanto alarmante, pois já sofremos as consequências de uma oligarquia poderosa disfarçada sobre democracia.
Hoje se fala no conceito de cidades negócios: espaços urbanos que são regidos por interesses particulares com o apoio do governo local, ou seja, as intenções corporativas de grandes investidores têm tomado prioridade nas tomadas de decisões governamentais em detrimento das necessidades da sociedade. Um bom exemplo contemporâneo hoje é o agravamento do trânsito em São Paulo como consequência das políticas públicas incentivadoras do comércio de automóveis (IPI reduzido) e abandono dos transportes públicos.No Rio temos a polêmica da "limpeza social" pró-copa 2014 e a especulação imobiliária².
A atuação conjunta das esferas pública e privada gera receita e arrecadação de impostos, além de poder político aos governantes.
“Governo é como violino: você toma com a esquerda e toca com a direita”
(José Sarney)Quando a descentralização significaria uma maior democratização da gestão municipal, o governo segue a contramão e sorve o poder, excluindo-o da esfera pública e democrática, pois assim facilita-se os tramites para parceria com setores privados, geralmente grandes empresas transnacionais.
Essas são marcas de um governo oligárquico defensor de interesses de uma minoria elitista da sociedade, portanto anti-democrático.
Tomando do pensador Zgymunt Bauman novamente um pensamento, nos deparamos com a "expressão" "pêndulo segurança-liberdade", que o sociólogo afirma ser característico da humanidade abdicar se segurança em prol de maior liberdade e vice-versa no decorrer da história.
Se o processo de centralização política que tem tomado forma no mundo todo for uma busca comum à essas sociedades por segurança contra a recessão econômica da primeira crise capitalista pós 1980, então esse processo se faz essencial. Apesar disso, é essencial diferenciarmos segurança de opressão, qualidade de vida de poder financeiro, pois é vital definirmos até onde estamos dispostos a abdicarmos de nossas participações no curso de nossas cidades, estados e países em troca de agilidade governamental para sairmos da crise financeira. A instauração de uma opressão vestida sobre o véu de ma falsa segurança pode ser muito custosa, como nosso próprio passado nos ensina.
¹http://www.youtube.com/watch?v=NOACpvZmpnE Entrevista de Z. Bauman
²http://catarse.me/pt/dominiopublico Projeto financiado contra a especulação imobiliária no Rio de Janeiro
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O Paradoxo do Brasileiro e seus entraves
Com um pouco de clareza e senso crítico emprestados dos brasilianos, podemos nos aventurar em alguns temas correntes na sociedade brasileira. Para isso, imaginemos uma situação que aparece periodicamente nos noticiários: um representantes das camadas sociais desfavorecidas encontra um enorme quantia em dinheiro e decide devolvê-la, afirmando que aquilo, afinal, não é dele. Instantaneamente apresentadores, repórteres, telespectadores e moralistas batem palmas estrondosas, pois é uma atitude ética e incomum.Apesar disso, todos que parabenizam o cidadão o fazem por valorizar sua ação e julgam que fariam o mesmo diante da situação, já que o apoiam. Diante desse fato, porque então essas ações são as exceções à regra? Porque nós julgamos que a maioria dos brasileiros pegaria o dinheiro pra si se há tantos defensores da nobre ação?
Esse é o "Paradoxo Brasileiro", uma impossibilidade lógica apresentada por Eduardo Giannetti em seu livro "Vícios privados, benefícios públicos? A ética na riqueza das nações." O autor nos apresenta o fato de que o Brasil ser muito diferente da soma das auto-imagens dos brasileiros é devido ao nosso auto-engano, descartando a hipocrisia. Uma afirmação que tem seu brilho aos meus olhos.
Ainda em seu livro, Giannetti nos recorda que desde a 2ª Guerra Mundial a economia tem se afastado da filosofia. Apesar de ser trabalhoso construir provas para esse fato, essa não é uma constatação exclusiva do economista.Muitos outros especialistas das áreas de economia e filosofia parecem compartilhar da ideia.
Esse afastamento dessas duas grandes esferas do conhecimento tem como uma das causas a necessidade de expansão, à qualquer custo, do capitalismo na Guerra Fria e também após a queda do muro de Berlim.
O Plano Marshall norte-americano foi a concretização dessa prioridade de expansão. É natural então que as amarras com a filosofia e a ética fossem afrouxadas para se impedir possíveis barramentos a esse processo, responsável por gradativamente conferir uma importância ímpar ao dinheiro.
Hoje, a influência do dinheiro sobre nós e tamanha que a posse dele dá os maiores poderes enquanto que a falta dele indica submissão. O poder financeiro pode hoje comprar virtudes e conceder o conceito de sucesso a qualquer homem, de qualquer educação, qualquer religião ou etnia. Ele é democrático, pois todos podem atingir o sucesso ao acumulá-lo. Mas ao mesmo tempo é tirano, pois sucesso é indissociável dele.
O tema é tão contemporâneo que a edição 34 da revista "Filosofia" trata inteligentemente do tema o contrapondo às virtudes humanas- veja onde chegamos- no Brasil e no mundo.
Se falamos de dinheiro, falamos de economia. Inevitavelmente, a política econômica predominante tem suas relações com esse culto do dinheiro.No cerne disso temos a política Neoliberal predominante no mundo, ditando essas tendências sociais.
No entanto, o intrigante é que essa mesma política tem sido alvo de críticas por todos os meios de comunicação: televisão, internet, rádio e a mídia impressa. Desde protestos contra a crise ambiental até a violência urbana e todas as consequências do modelo de administração pública conhecido como as "cidades-negócios"¹.O julgamento de casos do mensalão também ganham atenção quando as pessoas de indignam com a má fé dos governantes e sua ganância que corroê os cofres públicos.Apesar disso, o que esquecemos é que o global é a soma do todo.
É no plano coletivo que esbravejamos contra as injustiças brasileiras, originárias sobretudo no super-poderes que o dinheiro exerce e nas consequências do plano econômico vigente mundialmente, mas é no plano individual que nos auto-negamos, nos rendemos à força- enorme, não é mentira- do capital, pois não podemos de deixar de aproveitarmos nossas chances de especularmos, visto que constantemente nos vitimamos pelo sistema, a ponto de que não se aproveitar da situação, não abandonar o discurso pregado em voz alta e em público significa padecer individualmente. Por isso nos auto-negamos.
Aliado a essa força individual que o capital exerce, porque mesmo conhecendo os problemas ao redor e pensando em soluções é tão difícil agir? Tomo emprestadas as palavras de Giannetti:
"Conhecemos mais sobre o mundo físico que nos cerca do que sobre nós mesmos. Na distância que separa o pensar do agir e o falar do fazer existem mais coisas que sonha o nosso débil conhecimento"
Como primeiro Ministro da Ilha do Brasil, afirmo que já adotei medidas para promover o auto-conhecimento no intuito de me esclarecer sobre essas "coisas" que permeiam entre meu falar e fazer e também inicio meu combate às minhas auto-negações, com a visão de que posso lutar para que o Brasil seja um país compatível com a soma de nossas auto-imagens, assim como sonhamos na Ilha do Brazil.
(me desculpem pela repetição do prefixo, mas é para ser bem enfático, mesmo)
Encorajo a todos a fazerem o mesmo pois lembremos: sonhar, na Ilha, é um dever de todos.
¹para entender melhor algumas facetas sociais das "cidades-negócio" no Brasil assista ao vídeo contextualizado no Rio:
http://catarse.me/pt/dominiopublico
Esse é o "Paradoxo Brasileiro", uma impossibilidade lógica apresentada por Eduardo Giannetti em seu livro "Vícios privados, benefícios públicos? A ética na riqueza das nações." O autor nos apresenta o fato de que o Brasil ser muito diferente da soma das auto-imagens dos brasileiros é devido ao nosso auto-engano, descartando a hipocrisia. Uma afirmação que tem seu brilho aos meus olhos.
Ainda em seu livro, Giannetti nos recorda que desde a 2ª Guerra Mundial a economia tem se afastado da filosofia. Apesar de ser trabalhoso construir provas para esse fato, essa não é uma constatação exclusiva do economista.Muitos outros especialistas das áreas de economia e filosofia parecem compartilhar da ideia.
Esse afastamento dessas duas grandes esferas do conhecimento tem como uma das causas a necessidade de expansão, à qualquer custo, do capitalismo na Guerra Fria e também após a queda do muro de Berlim.
O Plano Marshall norte-americano foi a concretização dessa prioridade de expansão. É natural então que as amarras com a filosofia e a ética fossem afrouxadas para se impedir possíveis barramentos a esse processo, responsável por gradativamente conferir uma importância ímpar ao dinheiro.
Hoje, a influência do dinheiro sobre nós e tamanha que a posse dele dá os maiores poderes enquanto que a falta dele indica submissão. O poder financeiro pode hoje comprar virtudes e conceder o conceito de sucesso a qualquer homem, de qualquer educação, qualquer religião ou etnia. Ele é democrático, pois todos podem atingir o sucesso ao acumulá-lo. Mas ao mesmo tempo é tirano, pois sucesso é indissociável dele.
O tema é tão contemporâneo que a edição 34 da revista "Filosofia" trata inteligentemente do tema o contrapondo às virtudes humanas- veja onde chegamos- no Brasil e no mundo.
Se falamos de dinheiro, falamos de economia. Inevitavelmente, a política econômica predominante tem suas relações com esse culto do dinheiro.No cerne disso temos a política Neoliberal predominante no mundo, ditando essas tendências sociais.
No entanto, o intrigante é que essa mesma política tem sido alvo de críticas por todos os meios de comunicação: televisão, internet, rádio e a mídia impressa. Desde protestos contra a crise ambiental até a violência urbana e todas as consequências do modelo de administração pública conhecido como as "cidades-negócios"¹.O julgamento de casos do mensalão também ganham atenção quando as pessoas de indignam com a má fé dos governantes e sua ganância que corroê os cofres públicos.Apesar disso, o que esquecemos é que o global é a soma do todo.
É no plano coletivo que esbravejamos contra as injustiças brasileiras, originárias sobretudo no super-poderes que o dinheiro exerce e nas consequências do plano econômico vigente mundialmente, mas é no plano individual que nos auto-negamos, nos rendemos à força- enorme, não é mentira- do capital, pois não podemos de deixar de aproveitarmos nossas chances de especularmos, visto que constantemente nos vitimamos pelo sistema, a ponto de que não se aproveitar da situação, não abandonar o discurso pregado em voz alta e em público significa padecer individualmente. Por isso nos auto-negamos.
Aliado a essa força individual que o capital exerce, porque mesmo conhecendo os problemas ao redor e pensando em soluções é tão difícil agir? Tomo emprestadas as palavras de Giannetti:
"Conhecemos mais sobre o mundo físico que nos cerca do que sobre nós mesmos. Na distância que separa o pensar do agir e o falar do fazer existem mais coisas que sonha o nosso débil conhecimento"
Como primeiro Ministro da Ilha do Brasil, afirmo que já adotei medidas para promover o auto-conhecimento no intuito de me esclarecer sobre essas "coisas" que permeiam entre meu falar e fazer e também inicio meu combate às minhas auto-negações, com a visão de que posso lutar para que o Brasil seja um país compatível com a soma de nossas auto-imagens, assim como sonhamos na Ilha do Brazil.
(me desculpem pela repetição do prefixo, mas é para ser bem enfático, mesmo)
Encorajo a todos a fazerem o mesmo pois lembremos: sonhar, na Ilha, é um dever de todos.
¹para entender melhor algumas facetas sociais das "cidades-negócio" no Brasil assista ao vídeo contextualizado no Rio:
http://catarse.me/pt/dominiopublico
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Primeiros devaneios do 1º Ministro da Ilha do Brazil.
Recentemente conheci os pensamentos de um sujeito muito peculiar chamado Aristóteles. Grande parte da humanidade já ouviu falar dele, mas tenho dúvidas se realmente conhecem seu legado.
Esse homem desenvolveu uma tese de que o "homem é um animal político". Sendo conciso- o que é quase uma atrocidade à lógica aguçada desse finado pensador- o homem se difere dos outros animais pois exerce a política, vai além das organizações em tribos ou aldeias.O exercício dessa virtude era dado, em sua época, nas pólis. Assim, o homem desenvolve suas necessidades básicas dentro da família e outras organizações menores mas não se limita à elas, dando vazão ao seu potencial na política em torno da organização do Estado.
Se a proteção e a perpetuação da espécie são conferidas pelas organizações primordiais, a vivência em torno da política garante a satisfação dos desejos e ânsias da população como um todo, tornando o convívio harmônico e próspero.
Apesar de toda essa reflexão sobre o animal político, Aristóteles não me parece popular aos brasileiros.
Nós brazilianos não conseguimos rastear a ação nobre do animal político no Brasil. Generalismos são desnecessários, mas a maioria dos animais políticos não parecem estar preocupados em exercer suas virtudes.
Talvez exagerando-se, há um contingente de analfabetos políticos com a sensação de estarem sendo governados, quando na verdade estão sendo "tocados", como um pastor "toca" seu rebanho vale acima.
Pensar em política é refletir sobre si e então iluminar-se em busca do seu papel na sociedade, atuando de forma ativa e positiva ao bem comum.
Receio que essa sociedade abriu mão desse papel e usa como desculpas fatores como a corrupção dos governantes. Ou, em outra análise, tomam como participação política torcer pela condenação dos culpados, passivamente.
Os brasilianos tomam a liberdade de finalizar o parecer sobre a sociedade brasileiros -dando limite aos generalismos- com a opinião de um estudante anônimo paulista em uma redação de tema "política":
"(...) o que muitas vezes não é percebido é que a crescente campanha para o reavivamento do interesse pela política poderia ser considerada como mais uma artimanha para introduzir e absorver cada vez mais indivíduos para um senso de pseudo-coletivismo, uma falsa sensação de estar contribuindo pela ordem e o progresso da sociedade..."
Um exemplo que torna a generalização da despolitização injusta.
Esse homem desenvolveu uma tese de que o "homem é um animal político". Sendo conciso- o que é quase uma atrocidade à lógica aguçada desse finado pensador- o homem se difere dos outros animais pois exerce a política, vai além das organizações em tribos ou aldeias.O exercício dessa virtude era dado, em sua época, nas pólis. Assim, o homem desenvolve suas necessidades básicas dentro da família e outras organizações menores mas não se limita à elas, dando vazão ao seu potencial na política em torno da organização do Estado.
Se a proteção e a perpetuação da espécie são conferidas pelas organizações primordiais, a vivência em torno da política garante a satisfação dos desejos e ânsias da população como um todo, tornando o convívio harmônico e próspero.
Apesar de toda essa reflexão sobre o animal político, Aristóteles não me parece popular aos brasileiros.
Nós brazilianos não conseguimos rastear a ação nobre do animal político no Brasil. Generalismos são desnecessários, mas a maioria dos animais políticos não parecem estar preocupados em exercer suas virtudes.
Talvez exagerando-se, há um contingente de analfabetos políticos com a sensação de estarem sendo governados, quando na verdade estão sendo "tocados", como um pastor "toca" seu rebanho vale acima.
Pensar em política é refletir sobre si e então iluminar-se em busca do seu papel na sociedade, atuando de forma ativa e positiva ao bem comum.
Receio que essa sociedade abriu mão desse papel e usa como desculpas fatores como a corrupção dos governantes. Ou, em outra análise, tomam como participação política torcer pela condenação dos culpados, passivamente.
Os brasilianos tomam a liberdade de finalizar o parecer sobre a sociedade brasileiros -dando limite aos generalismos- com a opinião de um estudante anônimo paulista em uma redação de tema "política":
"(...) o que muitas vezes não é percebido é que a crescente campanha para o reavivamento do interesse pela política poderia ser considerada como mais uma artimanha para introduzir e absorver cada vez mais indivíduos para um senso de pseudo-coletivismo, uma falsa sensação de estar contribuindo pela ordem e o progresso da sociedade..."
Um exemplo que torna a generalização da despolitização injusta.
domingo, 4 de novembro de 2012
"Nasce" A ilha do Brazil
No dia 4/novembro de 2012 o mundo se deparou com a noticia que inundou os telejornais e todos os outros meios de comunicação: uma nova nação foi descoberta!
Em um site brasileiro foi publicada uma matéria resumo sobre a Ilha do Brazil:
"Eles se autonomeiam como a nação Ilha do Brazil e dizem ser pacíficos. Foi a primeira vez que o homem descobriu uma civilização em estágio de desenvolvimento tão avançado como esse. A ilha do Brazil é civilizada e organizada politicamente sob uma república parlamentar.No entanto, sua economia parece frágil: não possuem riquezas naturais, seu território é reduzido e sua indústria é pequena.Por isso esse país não deve ter grandes influências sob o panorama geopolítico mundial. Dizem os próprios habitantes da Ilha que seu maior ativo são os sonhos, o pensamento livre e o senso crítico.
Bem, com esses únicos ativos tão depreciados na economia global o planeta todo se desinteressou imediatamente pelo pequeno país. O trending topic mundial #IlhadoBrazilfeelings durou apenas 47 minutos.
Populares diziam: "coitados...sonhos? se ao menos tivessem petróleo ou gás..."
Nem ao menos a localização da ilha se sabe ao certo: fica entre o Cabo da Boa Esperança e a ilha de Utopia, também já caída no esquecimento da humanidade.
No entanto, alguns especialistas dizem que o mais importante foi a Ilha do Brazil ter descoberto o mundo dada sua consciência crítica tão desenvolvida.Estudiosos afirmam que é nessa ilha que residem as boas idéias que podem mudar o mundo que conhecemos, exatamente porque a população lá pode sonhar livremente e não ser reprimida. "Essa estranha nação tem muito a nos acrescentar, tomara que se interessem por nós" afirma Eric. H., um historiador em seu leito de morte. No entanto restam poucos intelectuais que pensam de forma semelhante.
Lá, o lema é: "Na ilha, sonhar é um dever de todos"
Bem, tudo indica que sonhos não tem valor econômico hoje, esperamos que essa nação consiga se estabelecer na nova ordem mundial."
Mas o que poucos sabiam era que a Ilha do Brazil se interessara muito pelo novo mundo que lhe foi apresentado, e que muitas peculiaridades eram curiosas.
Imediatamente o primeiro ministro aprovou um plano de estudo geral direcionado à toda população da Ilha sobre o restante do novo mundo: sua economia, política, cultura, etc...
A partir de então os populares da Ilha do Brazil logo se apressaram para tentar entender o enorme ambiente externo que os cercava, numa mistura de delírio e sagacidade.
É esperado que em semanas tenhamos pareceres Brazilianos sobre os mais diversos assuntos pangeianos (assim eles denominaram o resto do mundo). Mas não é esperado que os pangeianos tenham interesse sobre essas opiniões e discussões, afinal elas não são petróleo, gás, novela, bebida, facebook, e essas coisas...
Em um site brasileiro foi publicada uma matéria resumo sobre a Ilha do Brazil:
"Eles se autonomeiam como a nação Ilha do Brazil e dizem ser pacíficos. Foi a primeira vez que o homem descobriu uma civilização em estágio de desenvolvimento tão avançado como esse. A ilha do Brazil é civilizada e organizada politicamente sob uma república parlamentar.No entanto, sua economia parece frágil: não possuem riquezas naturais, seu território é reduzido e sua indústria é pequena.Por isso esse país não deve ter grandes influências sob o panorama geopolítico mundial. Dizem os próprios habitantes da Ilha que seu maior ativo são os sonhos, o pensamento livre e o senso crítico.
Bem, com esses únicos ativos tão depreciados na economia global o planeta todo se desinteressou imediatamente pelo pequeno país. O trending topic mundial #IlhadoBrazilfeelings durou apenas 47 minutos.
Populares diziam: "coitados...sonhos? se ao menos tivessem petróleo ou gás..."
Nem ao menos a localização da ilha se sabe ao certo: fica entre o Cabo da Boa Esperança e a ilha de Utopia, também já caída no esquecimento da humanidade.
No entanto, alguns especialistas dizem que o mais importante foi a Ilha do Brazil ter descoberto o mundo dada sua consciência crítica tão desenvolvida.Estudiosos afirmam que é nessa ilha que residem as boas idéias que podem mudar o mundo que conhecemos, exatamente porque a população lá pode sonhar livremente e não ser reprimida. "Essa estranha nação tem muito a nos acrescentar, tomara que se interessem por nós" afirma Eric. H., um historiador em seu leito de morte. No entanto restam poucos intelectuais que pensam de forma semelhante.
Lá, o lema é: "Na ilha, sonhar é um dever de todos"
Bem, tudo indica que sonhos não tem valor econômico hoje, esperamos que essa nação consiga se estabelecer na nova ordem mundial."
Mas o que poucos sabiam era que a Ilha do Brazil se interessara muito pelo novo mundo que lhe foi apresentado, e que muitas peculiaridades eram curiosas.
Imediatamente o primeiro ministro aprovou um plano de estudo geral direcionado à toda população da Ilha sobre o restante do novo mundo: sua economia, política, cultura, etc...
A partir de então os populares da Ilha do Brazil logo se apressaram para tentar entender o enorme ambiente externo que os cercava, numa mistura de delírio e sagacidade.
É esperado que em semanas tenhamos pareceres Brazilianos sobre os mais diversos assuntos pangeianos (assim eles denominaram o resto do mundo). Mas não é esperado que os pangeianos tenham interesse sobre essas opiniões e discussões, afinal elas não são petróleo, gás, novela, bebida, facebook, e essas coisas...
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